Pedágio Free Flow: o que é e como funciona?

Mobilidade - 23 de dezembro de 2021

Em 2021, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) foi alterado, permitindo criar um sistema de livre passagem no Brasil sem as tradicionais praças de cobrança, o Pedágio Free Flow! Mas muita gente ainda ficou em dúvida de como irá funcionar. Nós vamos te explicar tudo nesse post!

O que é pedágio Free Flow?

O free-flow é um sistema de cobrança de pedágio sem as praças físicas de cobrança. O fluxo é livre e o pagamento é proporcional à quantidade de quilômetros rodados. 

O sistema já é utilizado em vários países como Estados Unidos e China, e vêm ganhando espaço de discussões no Brasil, com a criação da nova lei 14.157/21, que autorizou esse tipo de cobrança. Porém, ainda não se sabe ao certo quando e como será a implementação. Esse sistema já é uma realidade em mais de 20 países. Na América Latina, o Chile é o único que utiliza o pedágio de passagem livre de forma oficial.

Vantagens da implantação do pedágio Free Flow

O free flow traz a possibilidade de uma cobrança mais justa e igualitária para todos que utilizam a malha rodoviária, já que ela é feita com base na quilometragem e distância percorrida e não em pontos fixos pré-estabelecidos. Por exemplo: hoje, se um motorista trafega apenas por um pequeno trecho de uma rodovia pedagiada que possui 30 quilômetros, ele vai pagar valor fixo de R$ 15, já no formato de pedágio free flow ele pagaria somente o proporcional ao trecho percorrido. 

Alexandre Fontes, superintendente de operações aqui da Veloe, detalha um pouco mais: “As vantagens do free flow são muitas. As principais vantagens são a praticidade do motorista, que não precisará mais passar por cabines de cobrança, sejam manuais ou automáticas – e também o fato do valor do pedágio ser calculado em cima de trechos específicos, por quilômetro efetivamente percorrido pelo veículo”, explica. 

Dificuldades do pedágio Free Flow

De acordo com Fontes, apenas 50% das pessoas realizam pagamentos automáticos, enquanto 70% pagam na cabine da praça de pedágio, em dinheiro e cartão. “A primeira grande dificuldade é cultural e educacional. É necessário ter uma conscientização dos brasileiros para essa nova forma de pagamento”, explica.

Outro ponto que vale ser lembrado é que o Brasil é muito grande territorialmente e o transporte rodoviário é a principal forma de locomoção dos brasileiros. “Além das inúmeras rodovias federais, estaduais e municipais, temos inúmeras estradas menores que fazem ligações entre diferentes pontos. Isso traz uma dificuldade extra na instalação desses pórticos que farão as cobranças e a contagem da quilometragem”, comenta Fontes.

Temos pela frente também uma dificuldade de “infraestrutura” tecnológica porque ainda não foi completamente definido o modelo que será homologado para que o free flow funcione no Brasil: se será por leitura de placa, leitura de tag, solução mobile ou uma tecnologia própria para o serviço. Os adesivos tem se mostrado a mais eficiente, pela facilidade de instalação e pela base já existente.

Outras questões precisam ser levadas em consideração: legislação, código de trânsito no que se refere a forma de cobrança, identificação do veículo e motorista. Sem contar que temos, infelizmente, um comportamento comum a boa parte dos brasileiros de inadimplência no pagamento de impostos e tributos obrigatórios, como IPVA, licenciamento e multas.

Como será a implantação do pedágio Free Flow?

Para que o sistema de pedágio free flow funcione é preciso instalar pórticos na extensão da estrada que, por meio da tag, placa ou outra tecnologia, faça a captura e identificação do trecho percorrido pelo veículo e calcule de forma automática o valor correspondente do pedágio.

Dessa forma, o motorista não tem que passar pelas cabines fixas das praças de pedágio e a leitura é totalmente automática, tal qual o pagamento, que seria feito posteriormente, quando a fatura chegar no endereço que a placa do carro está registrada.O modelo de pedágio free flow traz muito mais agilidade e praticidade no deslocamento, proporcionando uma cobrança mais justa aos motoristas.

Testes de pedágio Free Flow em São Paulo

Desde 2012, o estado de São Paulo vem testando o modelo de pedágio free flow em suas vias. As rodovias Engenheiro Constâncio Cintra e Santos Dumont foram as primeiras a experimentarem o sistema, de acordo com Agência de Transporte do Estado de São Paulo.

No ano seguinte, a rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros teve o primeiro ponto a ponto aberto para o tráfego de veículos. Em 2014, também foi instalado um sistema ponto a ponto para testes na rodovia Professor Zeferino. A Rodovia Dutra será a primeira concessão federal como novo sistema de pedágio.

Pode ser que demore cerca de 10 anos a implementação do pedágio free flow, por conta dos trâmites legais de concessões e adaptações das rodovias em todo o Brasil, mas duas coisas são certas: a cobrança é mais justa e haverá uma diminuição de 20% a 30% no valor da tarifa de pedágio. Isso sem falar nas vantagens para o meio ambiente, já que não há necessidade de parada em filas de pedágio, evitando a emissão desnecessária de toneladas de gases de combustíveis fósseis. Muito mais agilidade, economia e segurança!

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